A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) incluiu a construção de um terminal de passageiros de cruzeiros como exigência contratual na proposta de arrendamento definitivo do Porto de Itajaí (SC), colocada em consulta pública em julho.
A medida integra um contrato de 25 anos e cerca de R$ 2,6 bilhões em investimentos previstos, e obriga a futura concessionária a entregar a estrutura, avaliada em R$ 300 milhões, até o sexto ano de operação.
O terminal projetado terá três pisos, cerca de 30 mil metros quadrados de área construída e 424 metros de cais contínuo, dimensionado para receber os maiores navios do mundo, da classe Oasis.
Cidade opera como porto de embarque sem estrutura definitiva
Enquanto o projeto avança nas etapas regulatórias, Itajaí registra uma demanda que, segundo a Secretaria de Turismo e Eventos do município, justifica a obra. Na temporada 2025/2026, a cidade recebeu 37 escalas de cinco navios de quatro armadores, entre 30 de novembro e 18 de abril, com um pouco mais de 169 mil passageiros movimentados em 140 dias de operação.
Em 33 dessas escalas houve embarque e desembarque de passageiros, o equivalente a 89,1% de toda a movimentação da temporada — foram cerca de 30 mil embarques e 32 mil desembarques de pessoas com mais de 10 anos. Apenas quatro escalas foram de trânsito, quando o navio atraca por horas e segue viagem sem troca de passageiros.
A Antaq situa a cidade no contexto continental, como terceiro maior porto de cruzeiros da América Latina, atrás de Santos e Buenos Aires.
Impacto econômico supera R$ 40 milhões por temporada
O peso financeiro da atividade é mensurável, mesmo antes da construção do terminal. A Secretaria de Turismo estima R$ 48,7 milhões movimentados na última temporada, em uma faixa de R$ 40,9 milhões a R$ 56,5 milhões, aplicando os multiplicadores de gasto do Anuário Clia Brasil 2024/25 — de R$ 380 a R$ 520 por passageiro em operações completas de embarque e desembarque — sobre o volume real apurado pela cidade.
Terminal pode multiplicar turistas para toda a região
Balneário Camboriú e Porto Belo também recebem cruzeiros há décadas, mas nunca como porto de embarque. Sem estrutura alfandegada própria, os navios apenas fazem escala nesses municípios, e os passageiros descem por algumas horas para passeio, retornando depois a bordo.
O professor Marcos Arnhold Júnior, pesquisador em políticas públicas do turismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), descreve que é essa lacuna que o novo terminal tem potencial de preencher — não em disputa com os vizinhos, mas como peça que falta para destravar um fluxo turístico maior.