Novos imóveis superam R$ 30 mil por metro quadrado na Praia Brava

21 de setembro de 2026

Três quilômetros de orla entre Itajaí e Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, passaram a concentrar lançamentos imobiliários acima de R$ 30 mil por metro quadrado.

O preço coloca a Praia Brava na disputa pelo mercado de alto padrão do litoral catarinense, em uma região onde a oferta de terrenos próximos ao mar é limitada por áreas ambientais e regras de ocupação.

A Torre Sirena, entregue pela Lotisa em julho, mostra a dimensão desse mercado. O empreendimento de 232 apartamentos, com valor geral de vendas de R$ 450 milhões, foi concluído com 97% das unidades comercializadas, segundo a incorporadora.

Lançados em 2020 a partir de R$ 550 mil, os imóveis chegaram à entrega com valores superiores a R$ 2 milhões; a empresa calcula valorização acima de 260% no período.

Lançamentos próximos à orla têm os maiores preços

O valor elevado do metro quadrado não se espalha de forma uniforme pelo bairro, os preços mais altos estão concentrados em imóveis de frente-mar e quadra-mar.

Compra para moradia ganha espaço

Embora pertença a Itajaí, a Praia Brava está na divisa com Balneário Camboriú e integra um eixo urbano que conecta os dois municípios. Essa posição, além de uma paisagem costeira menos verticalizada do que a de outros pontos do litoral, pesa na decisão de compradores que buscam acesso aos serviços das duas cidades.

Os limites de altura próximos ao mar restringem a quantidade de unidades que podem ser construídas e ajudam a manter a paisagem do bairro. Os edifícios de frente para a praia têm limite de até sete pavimentos, enquanto a altura aumenta gradualmente e pode chegar a 12 pavimentos em áreas mais afastadas da orla.

As regras urbanísticas seguem o Plano Diretor de Itajaí e o acordo celebrado com o Ministério Público Federal para a Brava Norte.

Prefeitura prevê binário e novo acesso à BR-101

A valorização do bairro ocorre ao mesmo tempo em que os acessos viários se tornam um ponto de atenção. A Avenida Osvaldo Reis é a principal ligação entre Itajaí e Balneário Camboriú pela região da Praia Brava e concentra o tráfego de moradores, trabalhadores, turistas e veículos que circulam entre os dois municípios.

A prefeitura de Itajaí mantém projetos de mobilidade e saneamento em etapas que vão de estudos à execução. Entre eles, o binário da Brava, com entrega prevista para as próximas semanas, e a binarização da Avenida Osvaldo Reis, planejada para ser concluída nos próximos dois anos, além de estudos de viabilidade para um novo acesso sul à BR-101.

Itajaí prepara megaprojeto para receber os maiores navios de cruzeiro do mundo

14 de setembro de 2026

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) incluiu a construção de um terminal de passageiros de cruzeiros como exigência contratual na proposta de arrendamento definitivo do Porto de Itajaí (SC), colocada em consulta pública em julho.

A medida integra um contrato de 25 anos e cerca de R$ 2,6 bilhões em investimentos previstos, e obriga a futura concessionária a entregar a estrutura, avaliada em R$ 300 milhões, até o sexto ano de operação.

O terminal projetado terá três pisos, cerca de 30 mil metros quadrados de área construída e 424 metros de cais contínuo, dimensionado para receber os maiores navios do mundo, da classe Oasis. 

Cidade opera como porto de embarque sem estrutura definitiva

Enquanto o projeto avança nas etapas regulatórias, Itajaí registra uma demanda que, segundo a Secretaria de Turismo e Eventos do município, justifica a obra. Na temporada 2025/2026, a cidade recebeu 37 escalas de cinco navios de quatro armadores, entre 30 de novembro e 18 de abril, com um pouco mais de 169 mil passageiros movimentados em 140 dias de operação.

Em 33 dessas escalas houve embarque e desembarque de passageiros, o equivalente a 89,1% de toda a movimentação da temporada — foram cerca de 30 mil embarques e 32 mil desembarques de pessoas com mais de 10 anos. Apenas quatro escalas foram de trânsito, quando o navio atraca por horas e segue viagem sem troca de passageiros.

A Antaq situa a cidade no contexto continental, como terceiro maior porto de cruzeiros da América Latina, atrás de Santos e Buenos Aires.

Impacto econômico supera R$ 40 milhões por temporada

O peso financeiro da atividade é mensurável, mesmo antes da construção do terminal. A Secretaria de Turismo estima R$ 48,7 milhões movimentados na última temporada, em uma faixa de R$ 40,9 milhões a R$ 56,5 milhões, aplicando os multiplicadores de gasto do Anuário Clia Brasil 2024/25 — de R$ 380 a R$ 520 por passageiro em operações completas de embarque e desembarque — sobre o volume real apurado pela cidade.

Terminal pode multiplicar turistas para toda a região

Balneário Camboriú e Porto Belo também recebem cruzeiros há décadas, mas nunca como porto de embarque. Sem estrutura alfandegada própria, os navios apenas fazem escala nesses municípios, e os passageiros descem por algumas horas para passeio, retornando depois a bordo.

O professor Marcos Arnhold Júnior, pesquisador em políticas públicas do turismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), descreve que é essa lacuna que o novo terminal tem potencial de preencher — não em disputa com os vizinhos, mas como peça que falta para destravar um fluxo turístico maior.

Itajaí entrou no radar de quem pensa patrimônio no longo prazo

28 de agosto de 2026

Dados econômicos explicam a valorização imobiliária da cidade e o interesse crescente de investidores de outras capitais.

A escolha de onde investir deixou de depender somente da localização. Cada vez mais, investidores observam indicadores econômicos, geração de empregos, crescimento populacional e capacidade de uma cidade manter esse ritmo ao longo dos anos.

A cidade de Itajaí passou a ocupar uma posição de destaque no mercado imobiliário brasileiro. Com uma das maiores economias de Santa Catarina, um dos metros quadrados mais valorizados do país e uma base produtiva diversificada, o município atrai investidores de diferentes regiões em busca de ativos sustentados por fundamentos econômicos.

Segundo dados do IBGE, referentes a 2023, Itajaí registrou PIB de R$ 48,2 bilhões, resultado que coloca o município entre as 30 maiores economias do Brasil, à frente de 16 capitais. O PIB per capita chegou a R$ 182,5 mil, mais de três vezes superior à média nacional e o segundo maior de Santa Catarina.

Economia explica crescimento do mercado imobiliário

O desempenho do mercado imobiliário acompanha uma economia sólida e não pode ser interpretado como um movimento especulativo.

A valorização de Itajaí tem lastro na economia real e essa é a diferença fundamental. A cidade tem dinamismo sendo puxado pelo Complexo Portuário do Itajaí-Açu, segundo maior do país em movimentação de contêineres, pelo polo náutico, pela pesca, pelos cruzeiros e por um setor de serviços cada vez mais sofisticado.

Os dados do FipeZAP mostram que o metro quadrado residencial médio alcançou R$ 13,2 mil em junho de 2026, o quinto maior valor do país. Nos últimos três anos, a alta acumulada foi de 49,1%, enquanto a variação dos últimos 12 meses chegou a 7,7%.

Além disso, outro indicador é a geração de empregos, somente em 2024, Itajaí respondeu por mais de 42 mil vagas formais, cerca de 30% de todos os postos criados em Santa Catarina. Paralelamente, o município foi o que mais cresceu em população entre as grandes cidades catarinenses no período entre os últimos censos.